quinta-feira, 13 de maio de 2010

SIGNO - SIGNIFICANTE - SIGNIFICADO - SIGNIFICAÇÃO

Ora, vamos lá ver, essa coisa esdrúxula do Signo – Singnificante – Significado - Significação do nosso querido Saussure...

De acordo com ele (e não só), as linguagens são sistemas de signos e o estudo desses signos, objecto próprio da Semiologia por ele defendida, ajuda a compreender os mecanismos da comunicação.

Como já vimos na aula, o Signo é um “sinal que ocupa o lugar de qualquer coisa que é conhecida pela experiência”. Assim, a palavra “cão” tem uma significação em função da nossa experiência geral dos cães. Qualquer pessoa que habitasse uma ilha em que não existissem cães, não saberia a que é que se referia esta palavra.

O Signo é, pois, uma noção complexa que designa todo o meio de encarnar a representação mental de um objecto, de uma ideia, de um desejo, a fim de os tornar transmissíveis sob a forma de mensagem. Portanto, é o Signo aquilo que representa uma coisa diferente de si.

Ferdinand de Saussure, ao estudar o signo linguístico, aquele que é utilizado pela linguagem verbal, distinguiu dois componentes que o formam:

O SIGNIFICANTE, que é o elemento perceptível do signo e que constitui, de certo modo, uma “imagem acústica” (Perspectivando Pierce, seria o Objecto (geral) e/ou o Representamen (específico)). Situa-se no plano da forma/continente (isto é da sua parte material, da linguagem); e

O SIGNIFICADO, que não é uma coisa, mas a representação mental dessa coisa. É o conceito. (Em comparação com a teoria Pierciana, podem imaginar que seja o Interpretante). Situa-se no plano do conteúdo (portanto da mensagem, da interpretação).


Para melhor entenderem, vamos lá ver um exemplo que melhor mostrará a correspondência entre Significado e Mensagem e entre Significante e Linguagem:

Imaginem que João experimenta um sentimento de amor em relação a Maria; Esse sentimento é o conteúdo potencial de uma mensagem mas, enquanto não for expresso, não constitui um elemento de comunicação. Esse sentimento, mensagem virtual, imaterial, é o significado que João pode exprimir através de palavras – “amo-te” –, que é um significante linguístico –, através de gestos ou manifestações (significantes não-verbais). O signo é, portanto, não apenas a expressão “amo-te”, ou os gestos (Significantes) mas, igualmente, o sentimento expresso.


O Significante e o Significado, formando, assim, o Signo, uma entidade psíquica com duas faces, a combinação do conceito (Significado) e a imagem acústica (Significante) e a essa relação, Saussure denominou-a de SIGNIFICAÇÃO, isto é, o acto que une o significante ao significado e que constitui um elemento essencial do signo.

Tomemos como exemplo, o tal ramo de rosas que vos expus na aula:

Faço o ramo significar o meu afecto, a minha paixão. Existirá aqui, apenas um Significante (as rosas) e um Significado (o meu afecto/a minha paixão)? Não! Aqui, apenas existem as rosas “passionalizadas”. Essas rosas, carregadas de paixão (Signo), se deixam, perfeita e justamente, decompor em rosas (Significante) e em paixão (Significado).

Tomemos outro exemplo - “Uma pedra negra”:

Posso fazê-la significar de várias maneiras. Ela é um simples Significante. Mas se a carrego de um significado definitivo (condenação à morte, por exemplo, num voto anónimo), ela tornar-se-á um Signo. Portanto a Significação é o processo/o como dar significado ao significante.



Bom é isso...
Ficou esdrúxulo, pessoal?
Até a próxima… :D

10 comentários:

  1. Amigo!! Valeuu!!!!!!
    Li vários artigos, e ninguém explicou tão preciso quanto você!!
    O talento para o ensino não é uma técnica comum; poucos a desempenham com habilidade e sensatez.
    Amigo!! Você detém esse dom maravilhoso, que ensinar com simplicidade e clareza meridiana.
    Há tempos que procuro entender esses conceitos. Você superou!!
    Parabéns, parabéns.
    Wanderley
    São Paulo/SP

    ResponderEliminar
  2. Tenho de concordar com Kataloykan. Está um texto muito bem conseguido, claro e sucinto. Durante a minha licenciatura a linguística era um autêntico bicho, ninguém lhe ficava indiferente (para não falar do pobre Sausurre, quantas vezes amaldiçoado depois da morte). Mas a verdade é que muitos professores - de intelecto inegável, é certo - simplesmente não têm o condão de fazer chegar aos alunos as ideias-chave, muito menos desenvolvê-las. Folgo em saber que a linguística ainda está em boas mãos.
    Voltarei ao blog, com certeza.

    ResponderEliminar
  3. Parabéns por essa explicação, achei muito interessante! alem de ter me ajudado ^^ continue assim

    ResponderEliminar
  4. MUITO BOM, MUITO DIDÁTICO. PARABÉNS!
    Maria Jose C. SAles

    ResponderEliminar
  5. Parabéns, amei sua explicação, ela é bem clara e simples.

    ResponderEliminar
  6. valeu tirei minhas duvidas estou estudando p um concurso obrigd

    ResponderEliminar
  7. Olá professor, sou aluna de Psicologia aqui no Brasil.
    Utilizei sua explicação, dando o crédito e fonte, com um grupo de adolescentes toxicômanos. Estamos desenvolvendo um projeto de estágio chamado: Oficina da Palavra e suas explanações foram muito úteis. Obrigada.

    ResponderEliminar
  8. Sua explicação foi simplesmente perfeita. No último exemplo consegui compreender sua exposição, brilhante.

    ResponderEliminar
  9. Roberto José Moreira27 de maio de 2015 às 17:43

    Como explicar o uso do conceito de semiótica "a-significante", como um campo de fluxo de signos associados à "servidão maquínica" de Deleuze e Guattari?

    ResponderEliminar